Junkers Ju.52 na FAP

Nas nossas pesquisas sobre as nossas aeronaves descobrimos que dezembro não é só o mês do Natal. É também um mês muito especial para os nossos Junkers, em especial o nº6304 que pode ser visitado no Museu do Ar, em Sintra.

Ficam algumas fotos em simulador com esta aeronave de autoria do Tiger “Metal”. Em breve poderás também ler a aventura que o “Metal” concretizou ao simular o voo de entrega… Simplesmente ÉPICO!

Encontramos alguns artigos que partilhamos e respetivas fontes:

 

“Junkers Ju.52 nº6304 – Da Alemanha ao Museu do Ar um percursos de 73 anos” – texto Mário Diniz e Dr. Luís Proença

Em 1936 Portugal adquiriu à Alemanha um lote de dez aviões Junkers Ju.52/3mge, versão de transporte com adaptação para missões de bombardeamento, para serem operados pela Ae- ronáutica Militar (AM). Os aviões, fabrica- dos pela Junkers-Flugzeugwerk A.-G., em Dessau, são transferidos em voo ferry, via Roma, Melilla e Larache, para Portugal. Chegam ao nosso país, à Escola Militar de Aeronáutica (EMA), na Granja do Marquês no dia 23 de Dezembro de 1936, onde são recebidos em cerimónia oficial.

Integrado neste lote, a que a AM atribuiu matrículas na série 101 a 110, está o Ju.52 com o número de construção (werk- nummer) 5661, que mais tarde virá a ad- quirir a matrícula nº 6304, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Embora os números de construção dos aviões recebidos sejam conhecidos, ignora-se, à data, a relação destes números com as matrículas da AM. Ainda assim, dos dados conhecidos, é apontada a matrícula nº 104 como a hipótese mais provável para o Ju.52 com o número de construção 5661. De realçar, que a partir de Junho de 1938, as matrícu- las dos Ju.52 foram alteradas para a série 201 a 210, numa relação directa com as anteriores, mantendo-se assim a dúvida so- bre quais as matrículas que o Ju.52 nº 6304 ostentou na fase inicial da sua vida opera- cional em Portugal.

OS PRIMEIROS ANOS

Após a chegada a Portugal, os Ju.52 são mantidos na EMA até Julho/Agosto de 1937. O Ju.52 nº 104, à semelhança dos restantes, regista neste período uma acti- vidade aérea pouco significativa. A excepção é o mês de Fevereiro, com um total de quase 70 aterragens em apenas cin- co dias. Em 20 de Julho de 1937, é identifi- cado o último voo na EMA por parte do nºA partir de Agosto passa a operar a partir de Alverca, integrando o Grupo In- dependente de Aviação de Bombardea- mento (GIAB). A primeira missão no GIAB está registada como um voo de instrução, no dia 6 de Agosto de 1937, sendo o piloto o Capitão Humberto da Cruz. Embora os 10 Ju.52 estivessem destinados ao Gru- po de Bombardeamento Nocturno (GBN) da Base Aérea da Ota, são mantidos em Alverca, onde ficam a aguardar a conclusão dos trabalhos de construção da nova Base.

O nº 104 mantém-se associado à actividade de instrução, em Alverca, durante todo o ano de 1938. De salientar, que a alteração de matrícula do nº 104 para o nº 204 se processa entre Junho e Julho desse ano com o registo dos primeiros voos, já com a nova matrícula, no dia 15 de Julho, a cargo da tripulação constituída pelos Tenentes Franklin, Franco e pelo Al- feres Polleri, como observador.

O voo de entrega na Ota processa-se no dia 7 de Dezembro, a cargo do Tenente Franco e do Alferes Mera. A partir de Ja- neiro de 1939, o nº 204 passa a operar sob a égide do GBN na Ota, embora a inauguração oficial da Base Aérea só ocor- ra em 14 de Abril de 1940. Entre 1939 e 1941, o nº 204 mantém uma actividade regular, incluindo voos nocturnos.

No dia 16 de Dezembro de 1941, é efectuado o último voo a partir da Base Aérea nº 2 (BA2), na Ota, um voo de fer- ry para Alverca, a cargo do Capitão Bal- tazar e do Furriel Faria, onde irá ter lugar a desmontagem e preparação deste e dos restantes Ju.52 escolhidos para serem trans- feridos para os Açores, no ano seguinte, sob a justificação de reforçar os meios aé- reos existentes no Arquipélago com aviões pesados de bombardeamento.

(…)

UM ÍCONE DO PORTUGAL DOS PEQUENITOS

Numa época em que era comum várias entidades civis como as Câmaras Municipais e aeródromos pedirem à Força Aérea Portuguesa meios aéreos desactivados pa- ra exposição em locais públicos de modo a criarem um pólo de interesse local, coube também a vez à Fundação Bissaya Barreto de mover esforços para a colocação de uma aeronave no “Portugal dos Pequenitos”, em Coimbra. Aceite o pedido, para enriquecer este parque infantil, o Junkers foi então cedido pela nota nº 347/1ª, de 6 de Março de 1968, para exposição estática naquela instituição. Na cerimónia de entrega do avião, realizada a 24 de Abril de 1968, marcaram presença o Secretá- rio de Estado da Aeronáutica, General Mi- ra Delgado, o Brigadeiro Fernando Alber- to Oliveira, o Governador Civil de Coimbra, Engenheiro Horácio de Moura, o Dr. Cha- ves Castro, o Tenente-Coronel Engº. Elect. Eduardo Vilar Queiroz e o Tenente-Coronel Eng. PILAV Castro Alves por parte das OGMA, além de outras personalidades.

Mais tarde, teria sido efectivada pela Junta Distrital de Coimbra uma comemoração presidida pelo próprio Prof. Bissaya Barreto que na ocasião agradeceu a cedência do avião.

Durante os 19 anos em que o 6304 permaneceu no “Portugal dos Pequenitos”, foi certamente um dos motivos de visita ao parque, muitas horas de brincadeira e alegria teriam acontecido em seu redor, onde inúmeras crianças deram largas à sua fantasia com um avião enorme e imponente. Contudo, a aeronave, de ano para ano, degradava-se e em 1987, o Museu do Ar, consciente do enorme valor patrimonial que o Ju.52/3mge representava, sendo um dos “originais” alemães, foi dada a ordem para o recolher, com destino ao parque de aeronaves do Depósito Geral de Material da Força Aérea (DGMFA) em Alverca. Em seu lugar seria colocado um Fiat G.91 R/3 com a matrícula nº 5474 que, por sinal, nunca teve no nosso país serviço operacional.

(…)

Utilize o link para ler este artigo na integra.

FONTE: https://www.museudoar.pt//conteudos/galeria/leituras/pdf/ju-6304-ma385-maijun2010_2322.pdf

 


Junkers Ju 52

Caracteristicas

  •   Tripulação: 2 pessoas
  •  Capacidade: 17 passageiros
  • Comprimento: 18.90 m
  • Envergadura: 29.25 m
  • Altura: 6.10 m

Wing area: 110.5 m² ()

Motores : 3 × BMW Hornet A2, com 525 cavalos cada

Performance

  • Velocidade máxima: 271 km/h a 900 m de altura
  • Velocidade de cruzeiro: 222 km/h
  • Alcance: 950 km

 

A origem da Esquadra 502 remonta à primeira unidade aérea a que foi atribuída a missão de cooperação com as tropas paraquedistas. Estava então equipada com o Junkers Ju-52/3m. As primeiras aeronaves chegaram a Portugal em Dezembro de 1937, sendo utilizadas para bombardeamento nocturno, situação que se manteve até meados da década de 40, quando foram distribuídos pelas Bases Aéreas de Sintra e da Ota, sendo-lhe atribuída em acumulação a missão de transporte.

Em 1954 constituíram-se as tropas paraquedistas, integradas na Forca Aérea, ficando instaladas no Polígono Militar de Tancos, junto à Base Aérea nº3 (BA3). Um dos Ju-52/3m foi atribuído a esta unidade-base, sendo o embrião de outra unidade aérea que nos conduz à actualidade e à Esquadra 502.

A 11 de Janeiro de 1955 é formada a Esquadrilha de Ligação e Treino (ELT), equipada com 22 aviões “Piper Cub” L-21 que, além dos serviços de ligação,  apoiava o Exército e dois bimotores “Oxford” para treino. Nesse dia, e nomeado comandante daquela Esquadrilha o Capitão Fernando Gomes dos Santos. Em Maio do mesmo ano começam a ser recebidos na BA3 aviões Junkers para o lançamento de paraquedistas, iniciando-se os voos de adaptação e os lançamentos em 17 e 30 de Agosto respectivamente. Com o abrir do leque de missões atribuídas à ELT, foi decidido criar uma Esquadra que manteria as suas missões e efectivos.

A 12 de Abril de 1956 é constituída uma Esquadra Mista com duas Esquadrilhas: uma de ligação e treino, com 22 aviões L-21 e dois bimotores Oxford, e outra de transporte, com cinco aviões Ju-52, à data com sete pilotos. A Esquadra Mista viria a ser extinta em Dezembro de 1959, e com ela a Esquadrilha de Transporte, dando lugar à Esquadra de Instrução Complementar de Pilotagem e Navegação em Aviões Pesados (EICPNAP). Esta unidade viria a formar um reduzido número de alunos-piloto, não indo além de dezena e meia, mantendo como principal actividade o lançamento de paraquedistas. São-lhe atribuídos mais dois aviões Junkers e reequipados os restantes com motores Pratt & Whitney R-1340.

Nos meses de Novembro e Dezembro de 1960, França entrega a Portugal 15 aviões Amiot AAC-1 “Toucan” que, apesar da estranha designação, mais não são que Ju-52/3m construídos pelos Ateliers Aeronautiques de Colombes (AAC), sendo a maior parte entregues a EICPNAP.

Com o eclodir da guerra no Ultra-mar, em 1963, foi decidido formar mais tropas paraquedistas. Foram então introduzidas novas técnicas de lançamento de pessoal e de carga, incluindo lançamentos nocturnos.

A EICPNAP é extinta em finais do ano de 1963, sucedendo-lhe a Esquadra de Treino e Transporte de Tropas Pára-quedistas (ETTTP). Na prática só a designação mu-dou, mantendo-se a sua localização, aeronaves e a missão. Os Ju-52/3m são “baptizados” de Tartarugas e surge o primeiro distintivo, uma “tartaruga-aviador” transportando um paraquedista num carro de bebé. Com o incremento do esforço de guerra, os “velhinhos” Ju-52/3m são explorados intensivamente no treino de tropas paraquedistas, falando-se na sua substi-tuição por aeronaves C-47 “Dakota”. Mas tal não ocorreu e os Junkers continuaram a cumprir a sua missão, aproximando-se cada vez mais o fim da sua vida operacional. A ETTTP, que formou com elevado espírito de missão sucessivos cursos de paraquedistas, foi finalmente extinta em 1971, dando lugar à Esquadra 32.

Fonte: http://esquadra.emfa.pt/link-502-005.002.001.002.001-junkers-ju-52

SUGESTÃO: visita ao Museu do Ar em Sintra (fecha às segundas)

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